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Coronavírus

Coronavírus: O fim do dinheiro em papel

O medo de tocar notas de dólares hoje é palpável no epicentro do coronavírus nos Estados Unidos

20/03/2020 04h01
Por: Redacao

Os comunicados começaram a aparecer em Seattle em vitrines da Dick’s Drive-In, a icônica rede de hambúrgueres da cidade: “Com muita cautela, pedimos pagamentos com cartão de crédito ou débito, se possível, em vez de dinheiro”O medo de tocar notas de dólares hoje é palpável no epicentro do coronavírus nos Estados Unidos. E em todo o setor financeiro, acontece o debate sobre como lidar com a crescente preocupação do público de que os dólares possam transmitir a Covid-19. Estudos apontam que é pelo menos teoricamente possível para outros coronavírus sobreviverem no tecido de algodão e linho das notas de dólar, embora exista pouco consenso sobre o risco real de contágio. Nos bastidores, alguns setores da indústria e bancos solicitaram ao Federal Reserve e ao Departamento do Tesouro que emitissem uma declaração assegurando aos americanos que o risco de usar dinheiro é baixo, segundo pessoas com conhecimento das discussões. O Fed, por sua vez, afirma que aguarda recomendações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, que até agora disseram que o vírus se espalha principalmente por meio do contato de pessoa para pessoa. Enquanto isso, o Fed tem colocado notas repatriadas da Ásia em quarentena por até 10 dias para garantir a segurança. Existe muito em jogo para bancos e empresas que lidam com pagamentos eletrônicos: bilhões de dólares em lucros dependem de qualquer declaração ou política estabelecida por autoridades. De certa forma, bancos de pequeno e médio porte trabalham para manter as agências abertas e continuar servindo legiões de clientes corporativos que reabastecem as caixas registradoras diariamente. Representantes de alguns bancos acham que é importante que os reguladores disponibilizam recomendações sobre como manipular o dinheiro, observando que o risco de tocar notas e moedas é baixo comparado, por exemplo, com o aperto de mão, pressionar o botão do elevador ou agarrar um corrimão.

Pagamentos “higiênicos”

Se por acaso autoridades adotarem medidas que desencorajem o uso de notas de dólar, isso reforçará a longa “guerra contra o dinheiro” do setor de cartões de crédito, enviando mais transações por meio de suas redes e aplicativos de pagamento que cobram taxas. Empresas como Visa, Mastercard, American Express, PayPal Holdings e uma grande quantidade de grandes bancos emissores de cartões estariam entre os principais beneficiários. “Os pagamentos digitais já são vistos como bons para a sociedade pelos governos porque ajudam na inclusão financeira, geram receita tributária e eliminam a corrupção”, comenta Lisa Ellis, analista da consultoria independente MoffettNathanson. “Esta é outra razão: ‘É higiênico também”

Fonte: UOL

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