Anúncio
Coronavírus

Estado de Minas Gerais investiga possíveis mortes provocadas pelo coronavírus

Mesmo sem ter casos de morte confirmados, um Boletim de Ocorrência controverso teria viralizado na internet e feito com que as lideranças do estado entrassem em ação

24/03/2020 08h03
Por: Redacao

O suposto aumento de atendimentos em uma funerária de Belo Horizonte, Minas Gerais, gerou uma investigação do estado em relação a 20 mortes que podem ter sido provocadas pelo novo coronavírus.

A investigação começou após um boletim de ocorrência feito por um funcionário da funerária que afirmou ter recebido, desde a última sexta-feira (20), 73 corpos oriundos da região metropolitana da capital mineira, sendo que 23 deles tiveram como causas da morte insuficiência respiratória aguda, pneumonia aspirativa e pneumonia crônica – sintomas associados ao coronavírus.

 

De acordo com a denúncia, o funcionário afirma que em 30 anos de profissão, ele nunca teria visto tantas mortes num intervalo de tempo tão curto. Ainda segundo ele, a maioria dos óbitos é de pessoas de 50 a 90 anos. As mortes seriam de pacientes de Belo Horizonte, Matozinhos, Contagem, Betim, Sete Lagoas e um caso do Hospital Militar de Belo Horizonte.

Conforme boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde De Minas Gerais, divulgado na tarde desta segunda-feira (23),  são 128 casos confirmados da doença. Dentre eles, um em Betim.

 

A Prefeitura da cidade, no entanto, informou através de um comunicado, que são 214 casos são investigados, 16 resultados negativos e dois casos confirmados.  Um homem de 35 anos e uma de 26 que retornaram da Europa no dia 16 de março. Eles foram atendidos em um hospital particular de Belo Horizonte e estão em isolamento domiciliar desde o retorno ao país.

Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (23), o governador Romeu Zema (Novo) negou que o estado já tenha registrado mortes por causa do novo coronavírus. Ao lado dele, o secretário de saúde Carlos Eduardo Amaral acrescentou ainda que o governo local acompanha de perto todos os casos graves e investiga as mortes suspeitas.

“A vigilância sanitária de Minas tem contato próximo coma comunidade médica e todos os casos são rastreados e acompanhados, principalmente os casos graves que estão em CTI, que são acompanhados por exames para sabermos se há ou não coronavírus”, afirmou.

Conforme a funerária envolvida no caso, todos os atendimentos de sua unidade estão dentro da normalidade. O número de atendimentos teve um aumento nos últimos dias, mas nada que possa ser considerado significativo, estando dentro da regularidade para essa época do ano. Até o momento, a empresa não recebeu comunicação de nenhum caso de Covid-19 confirmado por parte dos hospitais.  A empresa ainda afirma que não é responsável pela emissão de atestados de óbitos. “Portanto, impossibilitado de atestar causa-mortis dos atendimentos realizados “, reforça a nota.

Segundo informações obtidas pelo Jornal de Brasília, o Boletim de Ocorrência teria sido retirado do sistema pouco depois da repercussão, e o servidor que o postou, teria sido forçado a tirar férias. 

O que dizem as autoridades policiais

Em áudio, o porta-voz da Polícia Militar de Minas, major Flávio Santiago, afirmou que o boletim de ocorrência feito pela corporação não faz juízo de valor. “Relata situações repassadas por um denunciante”, disse o major.

Segundo Santiago,  a denúncia foi encaminhada à Polícia Civil para investigação. Ele ainda afirma que a informação de que um dos corpos teria sido encaminhado à funerária pelo Hospital da Polícia Militar (HPM) não procede. “Há indícios de informações inverídicas”, disse, alertando que não pode haver pânico em relação a um caso que ainda está sob investigação.

Em comunicado feito pela Polícia Civil de Minas Gerais, a declaração de óbito realizada neste período de pandemia, tem como regra registra-se “causa indeterminada no momento – vigência da pandemia pelo Covid19”, caso não seja possível a determinação da causa da morte somente pelo exame externo.

A corporação ainda afirmou que mudará o procedimento para “causa indeterminada” nos referidos casos.

 

 

Com Jornal de Brasilia

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários