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Jornalistas

Polícia Civil vai investigar pichações que pregam morte de jornalistas

Um tapume do Hospital das Clínicas, na região hospitalar de Belo Horizonte, foi pichado nessa madrugada com palavras de ódio contra os jornalistas

14/05/2020 20h21
Por: Redacao

Representantes do  Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) e da Casa do Jornalista se reuniram  na tarde hoje com o delegado Wagner Salles, chefe do primeiro departamento de Polícia Civil de Belo Horizonte,  para pedir a abertura de um inquérito para apurar o autor das pichações pregando a morte de jornalistas. Um tapume do Hospital das Clínicas, na região hospitalar de Belo Horizonte, foi pichado nessa madrugada com palavras de ódio contra os jornalistas.

“Colabore com a limpeza do Brasil matando um jornalista todo dia”, diz uma das frases escritas ao longo do tapume que cerca uma barraca aonde é feita a triagem de pessoas suspeitas de contaminação pelo Covid-19.  Os pichos não permaneceram visíveis por muito tempo.  Eles foram cobertos por cartazes em defesa dos jornalistas e do jornalismo produzidos pelo SJPMG.   Logo após, eles foram retirados pelo Hospital das Clínicas e os tapumes foram pintados novamente.  De acordo com a assessoria do hospital, a chuva do começo da tarde danificou os cartazes e o hospital teve que pintar rapidamente para que os pichos não ficassem visíveis

O delegado que investiga o caso disse que todos os esforços serão empreendidos para tentar apurar o responsável pelas pichações que, segundo ele, atinge toda uma classe de trabalhadores e “também a democracia”.  De acordo com Salles, serão requisitadas imagens das câmeras de segurança da região na tentativa de identificar quem  está pregando a violência contra os jornalistas.

Assim que que tomou conhecimento das pichações, a presidente do SJPMG esteve no local para registrar as pichações e tentar localizar imagens das câmeras de segurança. Em frente ao local, existem câmeras instaladas em um comércio local. Segundo  o gerente, cujo nome vai ser preservado por questões de segurança, as imagens ficam guardadas por dez dias e podem se requisitadas pela Polícia ou pela Justiça. Todas essas informações foram repassadas à Policia Civil.

O sindicato também conversou com o procurador  José Antônio Baeta de Melo Cançado, que se colocou à disposição da entidade para acompanhar as apurações sobre mais esse ato de violência com os jornalistas.  Cópia das imagens  e do Boletim de Ocorrência serão encaminhadas à instituição.

“Não é a primeira vez que pichações ameaçam de morte jornalistas mineiros.  Durante a ditadura,  a sede do sindicato foi invadida e as paredes pichadas  com frases de ódio e incitação de crimes contra jornalistas.  Nessa toada, não será a ultima vez que isso acontece e , como sempre, não ficaremos calados e não seremos intimidados.  A liberdade de imprensa, o direito à informação são garantias universais  e vamos sempre lutar por isso, em defesa da nossa profissão e da democracia”, afirmou a presidenta do sindicato.

Ao longo do dia, os jornalistas receberam manifestações de apoio e solidariedade de diversas entidades, movimentos sociais e organizações não governamentais.

A escalada da violência contra jornalistas tem tomado uma proporção assustadora desde que os governos estaduais e municipais determinaram medidas de confinamento. Desde que foi decretado o confinamento na capital mineira,  esse é o quarto caso de tentativa de intimidação do trabalho dos jornalistas. Repórteres de diversos órgãos de comunicação têm sido vítimas de tentativas de intimidação e ameaças durante a cobertura da pandemia.  Todos os casos serão levados ao conhecimento das autoridades para que as agressões sejam coibidas.

Basta de violência contra jornalistas!

#jornalistasdeminas

#bastadeviolencia

#soujornalistenaomecalo

14/05/2020

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