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Mulher que morreu à espera de cirurgia: Prefeitura de Lavras se manifesta

A nota oficial da Prefeitura de Lavras, não explica como que uma paciente fica por longos 33 dias em uma UPA esperando cirurgia

11/05/2022 às 16h47 Atualizada em 11/05/2022 às 17h19
Por: Redacao
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Mulher que morreu à espera de cirurgia: Prefeitura de Lavras se manifesta

Aproximadamente 48 horas após o enterro da gari Luciana Aparecida Silva, realizado no Dia das Mães, a Prefeitura Municipal de Lavras emitiu uma nota de esclarecimento sobre o ocorrido.

Na tentativa de reescrever o triste capítulo do calvário que foi submetida essa trabalhadora, mãe e guerreira, a Prefeitura Municipal tenta por todos os meios justificar que a morte de Luciana deve ser colocada na conta do sistema SUS Fácil (Estado).
 
Não é explicado que mesmo encontrando dificuldades em conseguir a cirurgia para uma cidadã pagadora de impostos, através do Sistema Único de Saúde, a prefeitura não recorreu às verbas recebidas para uso na área da saúde. A nota, na verdade, é uma tentativa de terceirizar uma série de erros.
 
Se a UPA de Lavras é uma Unidade de Pronto Atendimento, por que Luciana ficou agonizando por lá durante 33 longos dias? Como se sabe, o primeiro atendimento deve mesmo ser feito na UPA para depois o paciente ser encaminhado a um centro especializado!
 
Se não havia vagas no SUS Fácil durante o período que ela estava internada, era recomendável que uma outra opção fosse considerada, mesmo que a prefeitura tivesse que pagar um hospital particular (como foi feito no final, graças à Justiça, mas o tempo que ficou na UPA foi determinante para que a tragédia ocorresse) para a realização da cirurgia que poderia salvar a vida da trabalhadora.
 
Dizer que não havia nada a ser feito a partir do momento que a paciente foi colocada no SUS-Fácil, porque o problema passou a ser do Estado, o fato é um tanto estranho! Mas como assim? É normal ficar 33 três dias na UPA, sofrendo com as fraturas e as dores insuportáveis, à espera de uma cirurgia que não vinha?
 
No dia 27 de novembro de 2021 denunciamos aqui o caso do idoso José Inácio dos Santos, que estava há 15 dias na UPA esperando por vaga em uma unidade hospitalar. O caso em questão acabou sendo resolvido por vereadores de Bom Sucesso que conseguiram o hospital para a realização da cirurgia. Mesmo o paciente sendo de Lavras, os nobres edis da cidade vizinha não ficaram esperando o SUS-Fácil arrumar uma vaga para a cirurgia, eles correram atrás.
 
Vê-se então que o caso da gari que ficou aguardando cirurgia por longos 33 dias, tem antecedentes! A nota da prefeitura informa que foram tentados o Hospital Vaz Monteiro e a Santa Casa de Misericórdia de Lavras. Em contato com a administradora do HVM, ela confirmou que o hospital foi procurado sim, mas que a instituição não realiza esse tipo de cirurgia de alta complexidade.
 
Mesmo que o fizesse, não poderia atender esse caso pelo fato de o hospital não ser credenciado pelo SUS para a realização de tal procedimento cirúrgico.Com relação à Santa Casa, o diretor administrativo da instituição foi procurado via telefone celular, que no entanto estava em caixa postal. Caso venha a se manifestar, essa matéria será atualizada.
 
A prefeitura diz na nota que “o Ministério Público ajuizou ação judicial, na qual foi determinado que o ESTADO DE MINAS GERAIS custeasse as despesas da cirurgia aguardada”.
 
Na nota foi esquecido de informar, que o MP foi provocado pela família da paciente, e que a situação chegou a este ponto porque a Prefeitura de Lavras não conseguiu internação e cirurgia nem mesmo paga.
 
A nota da prefeitura, no início do terceiro parágrafo, desmente o vereador Ubirajara Cassiano Rocha, onde se lê: "A verdade dos fatos rescinde no sentido...”, por este parágrafo não é confirmada gestão do presidente da Câmara Municipal de Lavras para que fossem liberados recursos financeiros para a realização da cirurgia, como ele mesmo disse em ligação telefônica para a família da gari.
 
No finalzinho de sua nota, a prefeitura tenta terceirizar o seu insucesso em não conseguir vaga e cirurgia para Luciana, atribuindo à imprensa compromissada com a verdade, o seguinte: ”A Administração Municipal lamenta profundamente a divulgação de mentiras, fatos distorcidos e as famosas meias verdades, cujo objetivo é muito claro e não será aceito”.
 
Quem não vai aceitar são os familiares dela, o marido, os filhos, os pais e irmãos, e todos os que têm compromisso com a verdade e preservação da obra sublime de Deus que é a vida.
 
A nota da prefeitura tem tudo, menos a resposta que todos querem saber. Por que a prefeitura deixou Luciana Aparecida Silva durante 33 dias na UPA e não providenciou a cirurgia dela, mesmo que o procedimento fosse pago? Por quê?
 
Dinheiro tem, porque a UPA, onde ela ficou internada durante esse período, está em obras. Então, não foi por falta de dinheiro que ela permaneceu todos aqueles dias na unidade de saúde sofrendo dores alucinantes, e não conseguindo a cirurgia a tempo de salvar sua vida. Não foi!
 
 
 
 
 
J. Paulo
 
Editor
 
 
 
 
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