
O vereador Evandro Oliveira Miranda, conhecido como Mestre Grilo, foi indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais no âmbito da investigação que apura suspeitas de crimes contra a dignidade sexual. O parlamentar está preso preventivamente desde o dia 16 de setembro.
A investigação teve início em fevereiro de 2026, após requisição do Ministério Público, e apura fatos que teriam ocorrido em diferentes períodos. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, entre as pessoas envolvidas na apuração estão indivíduos que, à época de parte dos fatos investigados, eram crianças ou adolescentes ligados a atividades de um grupo de capoeira.
Em vídeo divulgado durante o andamento do caso, o delegado Pedro Queiroz, da Delegacia Regional de Polícia Civil, apresentou informações sobre as etapas da investigação, as diligências realizadas e o indiciamento do parlamentar.
O indiciamento, porém, não significa que Mestre Grilo tenha sido condenado ou que sua responsabilidade criminal esteja definida. Trata-se de uma conclusão da autoridade policial dentro da investigação. A partir dos elementos reunidos no inquérito, caberá ao Ministério Público analisar o material e adotar a providência que entender juridicamente adequada, que pode incluir o oferecimento de denúncia, a solicitação de novas diligências ou o arquivamento, conforme as circunstâncias do caso.
CÂMARA ABRE APURAÇÃO ÉTICO-PARLAMENTAR
No âmbito político e institucional, o caso também chegou à Câmara Municipal de Lavras.
A Mesa Diretora decidiu, em 28 de setembro, encaminhar à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar uma representação que pede a abertura de procedimento ético-parlamentar envolvendo o vereador. A representação foi apresentada por um cidadão e solicita a apuração dos fatos e a análise de eventuais medidas cautelares.
A apuração da Câmara é independente da investigação criminal. A Comissão de Ética deverá analisar os fatos apresentados, podendo solicitar documentos e outros elementos que considerar necessários para formar sua convicção.
O Regimento Interno da Câmara Municipal de Lavras estabelece que o vereador poderá perder o mandato quando seu procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar. Para essa hipótese, a norma prevê decisão do Legislativo por dois terços de seus membros, assegurada ampla defesa ao parlamentar.
O próprio Regimento determina que as proposições que exigem quórum de dois terços sejam submetidas à votação nominal, na qual ficam registrados os votos favoráveis e contrários de cada vereador.
Isso significa que, caso o processo ético-parlamentar chegue à fase de julgamento e seja submetida ao Plenário uma proposta de perda de mandato, a votação deverá seguir o procedimento previsto nas normas da Casa.
DIREITO DE DEFESA
Durante a apuração parlamentar, Mestre Grilo terá direito ao contraditório e à ampla defesa, princípios que também devem ser observados no processo judicial.
A defesa do vereador tem sustentado desde o início que ele é inocente, contesta as acusações e questiona os fundamentos da prisão preventiva. Após a prisão, os advogados reafirmaram publicamente a inocência do parlamentar e contestaram a existência de elementos suficientes para justificar a medida cautelar.
A própria Câmara Municipal, em nota oficial divulgada em 16 de setembro, afirmou que o caso deve observar o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. A Mesa Diretora também informou que o fato investigado não teria relação direta com o exercício do mandato e que aguardaria o desenvolvimento dos procedimentos antes de adotar eventuais medidas institucionais.
O CASO AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO
Até o momento, portanto, existem diferentes etapas que não devem ser confundidas: a investigação policial, o indiciamento, a eventual atuação do Ministério Público, o processo judicial — caso haja denúncia e ela seja recebida — e, paralelamente, a apuração ético-parlamentar na Câmara Municipal.
Nenhuma dessas etapas, isoladamente, equivale a uma condenação criminal.
Mestre Grilo permanece sob prisão preventiva enquanto o caso tramita, e a Justiça ainda deverá analisar os desdobramentos processuais. A defesa continua sustentando a inocência do vereador.
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