
Por Dr André Márcio Murad
Pessoas com implantes mamários podem realizar mamografias, mas o exame é feito de uma maneira um pouco diferente.
Se você tem implantes mamários, talvez se pergunte se as diretrizes e recomendações habituais sobre mamografias se aplicam ao seu caso e se o exame poderia danificar os implantes ou afetar os resultados. A seguir, apresentamos respostas para algumas dúvidas comuns sobre mamografias e implantes mamários.
É possível realizar mamografias tendo implantes mamários?
Sim — a mamografia é um exame seguro e eficaz para pessoas que possuem implantes mamários.
Pessoas que colocaram implantes mamários para fins estéticos devem seguir as mesmas diretrizes de rastreamento do câncer de mama por meio de mamografias que as pessoas que não possuem implantes.
No caso de pessoas que possuem implantes mamários para fins de reconstrução, a necessidade de realizar mamografias de rastreamento regulares pode variar, dependendo do tipo de cirurgia de câncer de mama realizada e de outros fatores.
A mamografia pode causar a ruptura dos implantes?
Durante a mamografia, a mama é comprimida entre duas placas plásticas horizontais. Embora a compressão possa, teoricamente, causar a ruptura de um implante, isso é extremamente raro. Caso ocorra uma ruptura, é muito mais provável que ela tenha sido causada por outros fatores, e não pela mamografia.
Em geral, a ruptura de um implante preenchido com solução salina (soro fisiológico) é mais perceptível do que a de um implante preenchido com gel de silicone. Isso ocorre porque, no caso do implante com solução salina, o líquido costuma vazar rapidamente (ao longo de poucos dias), fazendo com que a mama pareça murcha. Já a ruptura de um implante de gel de silicone pode não apresentar sinais ou sintomas visíveis. Frequentemente, a única forma de detectar a ruptura de um implante de gel de silicone é por meio de uma ressonância magnética ou ultrassom.
Mamografia com próteses: o que esperar
Uma prótese mamária, seja preenchida com solução salina (soro fisiológico) ou gel de silicone, pode bloquear a visualização dos tecidos mamários ao redor, tornando mais difícil a detecção de câncer de mama em uma mamografia.
É importante informar a equipe da clínica de diagnóstico por imagem que você possui próteses, tanto no momento do agendamento quanto ao chegar para o exame.
Para permitir a visualização de uma área maior do tecido mamário na mamografia, o profissional responsável pelo exame realizará cerca de quatro imagens adicionais, conhecidas como "manobras de deslocamento da prótese". O profissional empurrará suavemente a prótese em direção à parede torácica, trazendo mais tecido mamário para a frente, antes de realizar a compressão da mama.
O exame pode levar um pouco mais de tempo do que no caso de uma pessoa sem próteses, justamente porque são feitas mais imagens. Além disso, o tecido cicatricial que se forma ao redor da prótese pode tornar a mamografia mais desconfortável ou dolorosa, e pode dificultar a obtenção de algumas imagens.
Como as próteses afetam os resultados da mamografia?
Se a mamografia for realizada por um profissional com experiência em exames de mamas com próteses, as imagens deverão ser nítidas e precisas. No entanto, existe um risco muito pequeno de que um possível tumor não seja detectado, uma vez que as próteses dificultam a obtenção de imagens claras do tecido mamário. Se as próteses tiverem sido colocadas sobre o músculo peitoral (posicionamento chamado de "pré-peitoral" ou "sobre o músculo"), pode ser, em alguns casos, mais difícil para o profissional obter imagens nítidas de todo o tecido mamário.
Exames de imagem adicionais — como a ressonância magnética das mamas com uso de contraste — permitem visualizar uma área maior do tecido mamário ao redor da prótese. Contudo, a ressonância magnética não é recomendada como substituta da mamografia para mulheres com risco médio de câncer de mama. Ela é utilizada em circunstâncias específicas e/ou em mulheres com risco acima da média.
Preciso fazer mamografias após uma reconstrução mamária com implantes?
A necessidade de realizar mamografias após uma cirurgia de câncer de mama com reconstrução por meio de implantes depende do tipo de cirurgia realizada, dos seus fatores de risco individuais e da sua idade.
Pessoas que passaram por uma mastectomia bilateral (remoção de ambas as mamas), na qual todo o tecido mamário foi retirado, geralmente não precisam realizar mamografias de rastreamento anuais. Já as pessoas que foram submetidas a uma mastectomia unilateral ou a uma cirurgia conservadora (tumorectomia) geralmente precisam continuar realizando mamografias.
É recomendável definir, junto ao seu médico, um plano de rastreamento ou monitoramento para o câncer de mama, que inclua exames físicos e, possivelmente, outros procedimentos, como ressonância magnética das mamas e ultrassonografia.
*Dr. André Márcio Murad, é médico oncologista e oncogeneticista, da Clínica Personal Oncologia de Precisão(BH), do Hospital Vaz Monteiro
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