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Finalmente, a primeira vacina de RNA Mensageiro contra o câncer. A visão de quem participou do estudo 

Depois de administrado, esse mRNA fornece instruções para que o organismo apresente os alvos selecionados ao sistema imunológico. A intenção é estimular células T capazes de reconhecer características presentes nas células tumorais.

26/10/2026 às 08h28
Por: Redacao
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Finalmente, a primeira vacina de RNA Mensageiro contra o câncer. A visão de quem participou do estudo 

 

 

 

 

 

 

Por Dr André Márcio Murad

 

Os resultados do estudo de fase 3 da vacina personalizada contra o melanoma (intismeran autogene ou V940/mRNA-4157), desenvolvida pela Moderna e pela MSD, foram apresentados com
muita euforia e esperança no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026),  Nosso Centro de Pesquisas de Novas Drogas Contra o Câncer da Clínica Personal Oncologia de Precisão de Belo Horizonte, com muita honra foi um dos centros que participaram desse estudo. 

Os resultados apresentados foram surpreendentes: 

* Redução do Risco: A combinação da vacina com o imunoterápico pembrolizumabe (Keytruda) reduziu em 42% o risco relativo de recorrência da doença ou morte, em comparação com o uso de pembrolizumabe isolado. 

Mas vamos entender um pouco mais do estudo e do que é uma vacina de RNA mensageiro e como ela pode combater o câncer. 

As vacinas de RNA mensageiro (mRNA) ficaram conhecidas mundialmente durante a pandemia de COVID-19. Mas a mesma plataforma tecnológica está avançando em outra direção: o desenvolvimento de tratamentos personalizados contra o câncer.

A vacina utilizada nesse estudo é chamada de  Intismeran Autogene (V940 ou mRNA-4157), combinada à imunoterapia pembrolizumabe e foi empregada em pacientes com melanoma de alto risco de recidiva e que já haviam passado pela retirada cirúrgica do tumor. É o primeiro resultado positivo de fase III para uma terapia individualizada de neoantígenos e também para uma terapia contra o câncer baseada em mRNA. 

Mas o que torna essa tecnologia diferente? Tumores acumulam conjuntos próprios de alterações no DNA. Algumas dessas mutações dão origem a proteínas modificadas, chamadas neoantígenos, que podem funcionar como uma espécie de “assinatura” das células tumorais.
A proposta é utilizar justamente essa informação para construir o tratamento. Uma amostra do tumor é sequenciada para identificar suas mutações. Em seguida, ferramentas de bioinformática e análise computacional ajudam a selecionar quais neoantígenos têm maior potencial para serem reconhecidos pelo sistema imunológico. A partir dessas informações, é produzido um mRNA específico para aquele paciente.

Depois de administrado, esse mRNA fornece instruções para que o organismo apresente os alvos selecionados ao sistema imunológico. A intenção é estimular células T capazes de reconhecer características presentes nas células tumorais. É como fornecer ao sistema imunológico informações mais precisas sobre o que ele deve reconhecer.

No estudo, essa estratégia foi combinada ao pembrolizumabe, uma imunoterapia que bloqueia a molécula PD-1. Esse bloqueio ajuda a retirar um dos “freios” que podem limitar a ação das células T contra o câncer. As duas tecnologias atuam, portanto, de maneira complementar: uma procura direcionar a resposta imunológica para características específicas do tumor, enquanto a outra favorece a capacidade das células imunológicas reagir especificamente contra os antígenos.

No ensaio clínico de fase III, a combinação atingiu seus dois principais objetivos: melhorou a sobrevida livre de recorrência, o período em que o paciente permanece sem retorno da doença, e a sobrevida livre de metástases à distância, quando comparada ao pembrolizumabe sozinho.

O Caminho do mRNA no Organismo

1. Injeção e Proteção

* A vacina usa nanopartículas lipídicas (bolhas de gordura) para proteger o RNA frágil.
* Via de regra, aplica-se por via intramuscular, intradérmica ou intravenosa. 

2. Destino Celular (Onde Acontece a 

* Células-alvo: Células apresentação de antígeno (APC) — principalmente células dendríticas — ou linfócitos T específicos.
* Local interno: O RNA entra exclusivamente no citoplasma da célula (nunca no núcleo, sem risco de alterar o DNA).
* Tradução: Os ribossomos lêem a "receita" e fabricam o antígeno do tumor. 

3. Duração e Desaparecimento

* O mRNA é instável por natureza.
* Ele é destruído pelas enzimas da própria célula em poucas horas ou dias.
* O corpo apenas retém a memória imune treinada pelas células de defesa que apresentaram o Alvo. 

Para Onde Vão os Órgãos de Resposta?

  • Linfonodos locais: Drenam o local da injeção (axilas, virilha) e reúnem os glóbulos brancos que processam a vacina.
    * Baço: Concentra parte da resposta se a via de entrega for endovenosa direcionada a tecidos linfóides.

 

 *Dr. André Márcio Murad, é médico oncologista e oncogeneticista, da Clínica Personal Oncologia de Precisão(BH), do Hospital Vaz Monteiro 

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