
A demora no atendimento a pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) voltou a ser motivo de preocupação em Lavras. Na noite de quarta-feira (4), o vereador Alisson Matiolli, presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, utilizou suas redes sociais para denunciar uma situação que, segundo ele, evidencia as dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam por procedimentos cirúrgicos.
Entre os casos mencionados pelo parlamentar está o de um paciente que se encontra na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 Horas) há mais de cinco dias, aguardando uma cirurgia em um dos dedos da mão.
Para o vereador, situações como essa precisam ser enfrentadas com urgência. Ele questiona a demora para conseguir encaminhamentos e procedimentos e cobra providências dos responsáveis pela organização dos serviços de saúde.
Ao comentar o caso, Alisson Matiolli foi enfático ao criticar a necessidade de um paciente permanecer internado por vários dias à espera de uma vaga hospitalar para realizar um procedimento ortopédico.
“É inadmissível que um paciente que necessita de uma cirurgia ortopédica de menor complexidade precise permanecer internado, aguardando que algum hospital aceite sua solicitação pelo sistema e disponibilize uma vaga para realizar o procedimento.
Estamos falando de pacientes que poderiam ter seus casos solucionados com mais agilidade, evitando internações prolongadas, sofrimento desnecessário, ocupação de leitos e sobrecarga dos serviços de saúde.
O paciente não pode pagar o preço da burocracia”, afirmou o vereador.
A mudança do SUSFácil para a CORE Saúde MG
Alisson Matiolli também relacionou o problema às mudanças ocorridas no sistema estadual de regulação da saúde, especialmente após a substituição do antigo SUSFácil pelo novo modelo, denominado CORE Saúde MG.
Para compreender a dimensão dessa mudança, é importante lembrar que o SUSFácilMG foi criado para organizar e gerenciar o acesso dos pacientes aos serviços hospitalares do Sistema Único de Saúde em Minas Gerais.
Na prática, o sistema permitia que hospitais e unidades de saúde registrassem solicitações de internação, transferências e acesso a leitos hospitalares. A partir dessas informações, médicos reguladores avaliavam a situação clínica dos pacientes, considerando a gravidade, os riscos e a necessidade de atendimento especializado.
Seu objetivo era organizar a distribuição das vagas disponíveis na rede pública, evitar encaminhamentos desordenados e garantir que os pacientes fossem direcionados aos hospitais com condições de oferecer o tratamento necessário.
Apesar dessa finalidade, o antigo modelo também convivia com problemas, entre eles a demora na liberação de vagas, nas transferências hospitalares e no acesso a procedimentos especializados.
Em Lavras, não foram poucas as manifestações de preocupação de familiares de pacientes atendidos na UPA, especialmente diante da espera por vagas em hospitais para a realização de exames, internações e procedimentos que não podiam ser feitos na própria unidade.
O que deveria fazer a CORE Saúde MG?
Implementada em 19 de maio de 2026 pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, a CORE Saúde MG chegou com a proposta de modernizar a regulação estadual e substituir a estrutura tecnológica utilizada pelo SUSFácil.
A CORE é a Central de Operações para Regulação Estadual. Sua função é organizar e operacionalizar a regulação do acesso aos serviços de saúde, administrar as solicitações de leitos hospitalares, coordenar transferências entre hospitais e acompanhar a disponibilidade de recursos assistenciais em Minas Gerais.
O novo modelo também foi desenvolvido para melhorar a comunicação entre municípios, hospitais e Estado, qualificar as informações clínicas dos pacientes e permitir maior rastreabilidade das solicitações.
Em outras palavras, a CORE deveria contribuir para que um paciente que necessita de internação, transferência ou atendimento especializado não fique perdido em uma fila sem acompanhamento, sem informações e sem uma resposta adequada sobre seu encaminhamento.
Entretanto, a implantação de uma nova plataforma, por si só, não resolve os problemas históricos da saúde pública. É necessário que o sistema funcione corretamente, que os profissionais tenham condições de trabalho, que os hospitais disponibilizem leitos e que a regulação consiga dar respostas compatíveis com a gravidade de cada caso.
Uma cobrança que merece respostas
A situação denunciada por Alisson Matiolli reacende uma discussão importante sobre a qualidade e a eficiência da regulação estadual da saúde.
Lavras possui uma estrutura de atendimento que atende não apenas seus moradores, mas também pacientes de outros municípios da região. Conta com a UPA 24 Horas e hospitais de referência, além de profissionais que trabalham diariamente para oferecer assistência à população.
É justamente por isso que a demora no acesso a procedimentos e transferências merece atenção. O trabalho das equipes de saúde que prestam assistência aos pacientes não pode ser prejudicado por dificuldades administrativas, falhas de comunicação ou demora nos processos de regulação.
O paciente que procura o SUS não está pedindo privilégio. Está exercendo um direito garantido pela Constituição Federal: o acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde.
A cobrança do vereador Alisson Matiolli coloca em evidência uma questão que ultrapassa os limites de Lavras: afinal, a substituição do SUSFácil pela CORE Saúde MG está conseguindo entregar a agilidade e a eficiência prometidas?
A expectativa é que o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, aperfeiçoe o funcionamento da regulação e apresente respostas concretas aos problemas apontados por pacientes, familiares e representantes da área da saúde.
Mais do que trocar um sistema por outro, o que a população espera é que a mudança represente, de fato, menos espera, mais eficiência e respeito a quem depende do SUS.
Perigo Ataques de cães deixam moradores feridos e provocam preocupação
Pessoa Desaparecida Família de mineira busca notícias após desaparecimento na Europa
Evento Gratuíto Lavras recebe II Encontro de Terreiros no dia 20 de novembro
Solidariedade Lar Esperança e Vida promove Show de Prêmios com R$ 18 mil em dinheiro
Luto Lavras perde Antônio Ávila Lara, empresário que ajudou a construir sua história e deixa um legado de trabalho e generosidade
Acidente/Moto PMMG apresenta versão sobre perseguição que terminou com motociclista morto Mín. 20° Máx. 32°