
Passadas as eleições, fica novamente uma constatação que precisa ser discutida com seriedade por Lavras e por toda a região: mais uma vez, não teremos representantes eleitos pela cidade na Assembleia Legislativa de Minas Gerais nem na Câmara dos Deputados.
Não faltaram candidatos. Não faltaram votos. O que faltou foi transformar a força eleitoral de Lavras e da região em uma votação capaz de garantir representação.
Os números mostram que Lavras votou em seus candidatos.
Para deputado estadual, Dr. José Cherem (PSB) recebeu 15.330 votos no município, enquanto Rodrigo Pacheco (PSD) somou 4.521 votos.
Na disputa para deputado federal, Professor Márcio Ladeira (PDT) teve 3.147 votos, Bethânia Mansur (Missão), 1.764, e Sylvinho Menicucci (Progressistas), 704 votos.
Mas eleição proporcional não se vence apenas dentro de uma cidade.
Esse talvez seja o principal ponto que precisa ser aprendido para as próximas eleições.
Enquanto candidatos de outras regiões chegam a Lavras em busca dos votos dos nossos eleitores, é necessário que os candidatos de Lavras também ultrapassem os limites do município e busquem votos em outras cidades e regiões de Minas.
Não se trata de abandonar Lavras. Pelo contrário. Trata-se de entender como funciona uma eleição proporcional.
Uma candidatura que pretende representar Lavras na Assembleia ou em Brasília precisa construir uma votação regional. Precisa conversar com outras cidades, apresentar propostas, formar alianças e conquistar eleitores muito além dos limites municipais.
Se isso não acontecer, o resultado tende a se repetir: Lavras terá candidatos, terá votos, mas continuará sem representação direta.
E quem perde não é apenas o candidato.
Perde Lavras.
Perde a região.
Perde a cidade quando chega a hora de reivindicar recursos, obras, investimentos, hospitais, infraestrutura, educação, segurança e tantas outras demandas que dependem também de articulação política em Belo Horizonte e Brasília.
O Mirante da Bocaina entende que esta não é uma questão de partido político ou de preferência eleitoral. É uma questão de representatividade.
Lavras precisa deixar de ser apenas uma cidade onde candidatos de outras regiões vêm buscar votos.
Precisamos também ter candidatos preparados para sair de Lavras, percorrer Minas Gerais, conquistar votos e construir uma representação política capaz de colocar o nome da cidade novamente nos espaços onde as decisões são tomadas.
As urnas passaram.
Agora é hora de fazer uma reflexão.
Se nada mudar na estratégia, nas próximas eleições poderemos estar novamente diante da mesma manchete:
Lavras tem candidatos, tem eleitores, tem votos — mas continua sem representação.
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