
Uma lei federal está em vigor desde janeiro deste ano, mas monitoras da Educação Infantil de Lavras afirmam que ainda aguardam o reconhecimento profissional previsto na nova legislação. A categoria cobra uma posição definitiva da Prefeitura e questiona por que, mesmo após meses da publicação da lei, a situação continua sem uma solução.
A reclamação chegou ao Mirante da Bocaina por meio de profissionais da rede municipal, que relatam insatisfação com a condução do assunto pela administração municipal. Segundo elas, datas para uma definição teriam sido anunciadas e posteriormente adiadas, enquanto a categoria continua aguardando uma resposta concreta.
A legislação em questão é a Lei Federal nº 15.326, de 6 de janeiro de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.
A norma alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a legislação do piso salarial do magistério. Entre as mudanças, estabeleceu critérios para o enquadramento na carreira do magistério dos profissionais da Educação Infantil que exercem função docente, atuam diretamente com as crianças, possuem a formação exigida e ingressaram por concurso público, independentemente da denominação do cargo que ocupam.
Na prática, a legislação reconhece que cuidar, brincar e educar fazem parte de um mesmo processo pedagógico, valorizando o trabalho desenvolvido por esses profissionais na formação das crianças.
A COBRANÇA JÁ CHEGOU À CÂMARA MUNICIPAL
A discussão não é nova em Lavras. Em 19 de janeiro de 2026, os vereadores Tide, José Cherem e Rose Oliveira apresentaram a Indicação nº 1/2026, solicitando providências para o enquadramento dos profissionais da Educação Infantil na carreira do magistério municipal, em conformidade com a nova legislação federal.
A indicação foi encaminhada ao Poder Executivo em fevereiro.

Em março, a Câmara Municipal também registrou a Moção nº 8/2026, que manifestou repúdio a declarações atribuídas à prefeita e à secretária municipal de Educação durante reuniões realizadas no Legislativo, relacionadas à interpretação e à aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026.
TRIBUNAL DE CONTAS TAMBÉM SE MANIFESTOU
A questão ganhou ainda mais importância com uma orientação publicada pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), em 5 de agosto de 2026.
O Tribunal orientou os gestores públicos a avaliar as atividades efetivamente desempenhadas pelos profissionais, e não apenas a nomenclatura utilizada para identificar seus cargos.
O comunicado ressalta que profissionais que atuam diretamente com crianças, possuem a formação exigida e ingressaram no serviço público por concurso devem ser avaliados conforme os critérios estabelecidos pela legislação federal.

O TCE-MG também esclareceu que não existe enquadramento automático para todos os cargos de monitoramento, assistência ou apoio escolar. É necessário verificar se as atribuições exercidas caracterizam efetivamente atividade docente ou suporte pedagógico, além dos demais requisitos legais.
A PERGUNTA QUE A CATEGORIA FAZ
Para as monitoras que procuraram o Mirante da Bocaina, a questão é direta: se a legislação federal já está em vigor e existem critérios estabelecidos para o reconhecimento, por que a situação em Lavras ainda não foi definida?
As profissionais afirmam que são concursadas, possuem formação e desempenham diariamente atividades diretamente relacionadas ao cuidado e à educação das crianças. Por isso, reivindicam que a administração municipal examine suas atribuições e cumpra o que determina a legislação, caso atendam aos requisitos previstos.
A categoria também reclama da falta de uma definição concreta, enquanto datas são anunciadas e posteriormente adiadas.
A PREFEITURA PRECISA DAR UMA RESPOSTA
A administração municipal precisa esclarecer se já realizou a análise das atribuições e da formação das monitoras, qual é o entendimento jurídico da Prefeitura sobre a Lei nº 15.326/2026 e qual o cronograma previsto para sua implementação.

Não basta anunciar reuniões ou estabelecer novas datas sem esclarecer quais providências estão sendo tomadas e quando haverá uma decisão.
Se as profissionais atendem aos requisitos estabelecidos pela legislação, o reconhecimento não pode ficar indefinidamente à espera de uma decisão administrativa.
A valorização de quem trabalha diariamente na formação das crianças também faz parte do compromisso com a qualidade da educação pública.
O Mirante da Bocaina deixa aberto o espaço para que a Prefeitura de Lavras apresente sua versão, esclareça os motivos da demora apontada pela categoria e informe quais medidas pretende adotar.
A lei está em vigor. As monitoras querem respostas. E a população de Lavras tem o direito de saber quando a legislação será efetivamente cumprida no município.
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